@Ler é um risco, arriscas-te?

A escrita é o ponto de encontro entre quem escreve e o que se escreve. Nem sempre é tarefa fácil, sobretudo quando uma destas forças tem de se submeter à vontade da outra, impulsionando a orientação a dar ao texto e o apaziguamento final em que o autor se funde com a obra. Talvez a afirmação possa parecer estranha, visto que partimos do princípio de que é o autor quem comanda o processo de escrita e, como tal, esta deve ser controlada pelo mesmo. Ora, nem sempre isto acontece. Embora exista um ponto de partida, aparentemente bem definido, o caudal de ideias que vão surgindo torna-se muitas vezes difícil de controlar. Então, ou o autor resiste, não se deixando surpreender; ou é levado pela corrente, isto é, pela inspiração, e assistirá à metamorfose da palavra.

Como diria Fernando Pessoa, “Essa coisa é que é linda”! A imaginação conduz ao ato de criação. Ninguém nasce escritor como ninguém nasce atleta. Seja em que domínio for, é preciso persistir e praticar. A escrita não é exceção. Citando Erasmo de Roterdão, “O gosto pela escrita cresce à medida que se escreve”.

Não poderíamos estar mais de acordo, pois se não houver continuidade desta prática, “enferruja-se”, tal qual o atleta que não treina as suas capacidades físicas. É sabido que quanto mais cedo forem desenvolvidas determinadas aptidões, mais facilmente se chegará ao objetivo a alcançar. No entanto, este caminho exige uma aprendizagem que tem de ser incentivada para que não seja preterida por outro tipo de interesses, de alcance bem mais fácil e imediato.

Madalena Toscano, professora da disciplina de Português

2023_Vieira de Clara Póvoa
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