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a tinta e pena : celebrar 500 anos de Camões
No quadro das atividades do Agrupamento para assinalar os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, a Biblioteca Escolar Clara Póvoa, em articulação com as professoras da disciplina de Português do 10.º ano, promoveu a oficina “A Tinta e Pena”, dinamizada por Adriana Campos, dirigida a alunos do Ensino Secundário. A proposta parte de uma ideia simples: a língua de Camões é muitas vezes sentida como “distante”, não por ser outra, mas porque os clássicos foram empurrados para um lugar de monumento, quando podem — e devem — ser usados como uma ferramenta viva de linguagem.
A oficina aproximou os alunos da lírica camoniana através de jogo, escrita e performance, criando um espaço de experimentação em que a palavra é trabalhada como matéria: lê-se, escuta-se, reescreve-se, diz-se em voz alta e testa-se o efeito do ritmo e da escolha lexical. Ao longo das sessões, exploraram-se formas poéticas estruturantes da tradição, como redondilhas, sonetos, canções e uma sextina, e termina-se com um desafio com sentido de escola e de comunidade: “trasladar” as palavras de Camões para fora do exercício escolar, levando-as para o espaço comum, onde a língua circula e ganha vida.
Esta abordagem tem impacto direto no uso do português, mesmo para quem não se reconhece como “leitor de poesia”. O contacto exigente com os clássicos alarga o vocabulário, treina sintaxe e cadência, melhora a precisão semântica e reforça a capacidade de escrever com clareza e de falar com segurança. Além disso, dá acesso a um património cultural comum que sustenta referências, argumentos e pensamento crítico.
Em suma, ler e trabalhar os poetas clássicos não é um luxo: é uma forma eficaz de fortalecer a língua — e, com ela, a qualidade do pensamento e da comunicação.
As oficinas estão novamente programadas para abril de 2026, desta feita para se realizarem com alunos de algumas das turmas do 12.º ano.
Isabel Bernardo (coordenadora do Serviço das Bibliotecas Escolares)