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Da Informação ao Pensamento | Textos de alunos em aprendizagem da escrita filosófica
Percursos para a escrita filosófica
Este ebook reúne textos produzidos por alunos de uma turma do 10.º ano, no âmbito da disciplina de Filosofia, no ano letivo de 2025–2026. Os textos resultaram de atividades orientadas por guiões, rubricas, investigação guiada, discussão em aula, feedback da professora e reformulação posterior. A publicação não pretende apresentar textos académicos acabados, mas tornar visível um processo de aprendizagem em que escrever foi também pensar, rever, discutir e aprender a olhar filosoficamente para problemas do mundo atual. Os alunos partiram de situações concretas — guerra, inteligência artificial, desinformação, trabalho em plataformas digitais, ativismo climático, justiça distributiva, redes sociais e participação democrática — para formular problemas filosóficos, aplicar conceitos, construir teses, apresentar argumentos e considerar objeções. O percurso desenvolvido cruzou leitura e escrita filosóficas, literacia da informação, literacia mediática e literacia digital. Os alunos foram orientados a consultar fontes, selecionar informação relevante, distinguir descrição empírica de análise filosófica, citar e referenciar fontes, formular posições próprias e reformular os seus textos.
As atividades que deram origem aos textos articulam-se com materiais disponíveis no Aprendiz de Investigador, nomeadamente guiões de trabalho, rubricas de avaliação e tutoriais de apoio à citação e referenciação bibliográfica.
A (i)moralidade de uma guerra: pensar com Kant e Mill
Os textos desta secção resultaram de uma atividade dedicada à análise da possível moralidade ou imoralidade de uma guerra. A partir de problemas associados ao conflito entre EUA, Israel e Irão, os alunos investigaram temas como legitimidade da guerra, direitos humanos, segurança, migrações, economia global, inteligência artificial e desinformação. O objetivo foi passar da descrição dos acontecimentos para a avaliação filosófica, mobilizando o problema da fundamentação da moral e as éticas de Kant e de Mill. O percurso incluiu investigação guiada, trabalho colaborativo, formulação de uma pergunta filosófica, escrita orientada, feedback, reformulação e apresentação oral. Dos trabalhos realizados, distinguiram-se os textos sobre o uso da inteligência artificial e da desinformação como instrumentos de guerra. O guião que orientou a atividade está disponível AQUI.
Estado, plataformas digitais, ativismo climático e desobediência civil
Os textos desta secção tiveram origem num trabalho formativo orientado sobre Estado, liberalismo, Locke, obrigação política e desobediência civil. O trabalho partiu de dois casos: o trabalho em plataformas digitais e o ativismo climático. A partir desses casos, os alunos aplicaram conceitos como Estado, poder político, autoridade, legitimidade, funções do Estado, governo limitado, legalidade, legitimidade e desobediência civil. O texto final articulou a regulação do trabalho em plataformas digitais com a discussão sobre os limites do Estado e as razões que podem justificar a contestação política.
A concentração de riqueza é justa?
Os textos publicados nesta secção resultaram de um trabalho formativo orientado sobre a concentração extrema da riqueza e a teoria da justiça de John Rawls. A atividade partiu de dados recentes sobre desigualdade económica e convidou os alunos a perguntar se uma sociedade com forte concentração de riqueza pode ser considerada justa. O problema foi analisado à luz de conceitos como justiça distributiva, igualdade equitativa de oportunidades, bens básicos, liberdades básicas, princípio da diferença e justiça como equidade. Quando pertinente, foram ainda mobilizadas críticas de Nozick e Sandel.
Redes sociais, justiça e mundo digital
Num último trabalho, os alunos investigaram respostas para a questão: podem as redes sociais estar a contribuir para um mundo mais injusto? Cada grupo analisou um problema empírico relacionado com redes sociais e justiça, como violência digital contra mulheres na vida pública, discurso de ódio contra migrantes, desinformação algorítmica, cultura de cancelamento ou ódio online contra minorias étnicas. O trabalho decorreu em várias etapas: leitura do guião, distribuição de tarefas, investigação empírica, estudo da teoria da justiça de Rawls, formulação de uma pergunta filosófica, escrita orientada, apresentação oral e assembleia deliberativa. O Diário de Investigação apoiou a recolha de informação e a passagem dos dados empíricos para conceitos filosóficos; o Documento de Registo orientou a construção do texto escrito, da tese, dos argumentos, da objeção e da proposta de princípio de justiça. O texto publicado é o dos alunos que desenvolveram um melhoramento posterior do mesmo, após a apresentação e discussão oral do trabalho realizado. O guião que orientou a atividade está disponível AQUI (www.aprendizinvestigador.pt).