- Posted on
- Editor LR
Emoções & Inquietações de Abril | Retratos de uma Exposição
A exposição “Emoções & Inquietações de Abril” enquadrou-se no encerramento das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 e na celebração do cinquentenário da entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa, escrita em liberdade. Esteve patente nos Paços do Concelho de Cantanhede até 30 de abril de 2026 e foi inaugurada no dia 16 de abril por Helena Teodósio, presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, Pedro Cardoso, vice-presidente do Município, e José Soares, diretor do Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria (AELdF). A sessão contou ainda com a presença da professora Isabel Nina, coordenadora interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE).
A inauguração foi antecedida por um apontamento musical do Coro da Universidade dos Tempos Livres do Concelho de Cantanhede. Num momento especialmente evocativo, o coro interpretou “Maré Alta”, canção composta por Sérgio Godinho em 1971, cuja força simbólica pareceu anunciar a liberdade que haveria de chegar com o 25 de Abril de 1974. Seguiu-se “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, também de 1971, escolhida pelo Movimento das Forças Armadas como segunda senha radiofónica da Revolução e sinal decisivo para o avanço das tropas que derrubariam a ditadura do Estado Novo em Portugal.
Da autoria de Ana Costa e Silva, Manuela Fonseca e Sofia Pedro, e concebida no âmbito do Plano de Atividades do Serviço das Bibliotecas Escolares do AELdF, a exposição inspirou-se na obra infantojuvenil 7×25 — Histórias da Liberdade, de Margarida Fonseca Santos, com ilustrações e design de Inês do Carmo.
Organizada em nove estações independentes, a mostra percorre, através de objetos-símbolo, três momentos associados à Revolução de Abril: o período anterior, o próprio dia 25 de Abril de 1974 e o tempo que se lhe seguiu. Entre esses objetos contam-se o lápis azul, as janelas da prisão, a cadeira de Salazar, o rádio, o semáforo, o megafone, o cravo, a urna eleitoral e a máquina de escrever. Cada estação inclui um texto de contextualização histórica e excertos da versão original da Constituição da República Portuguesa de 1976. Em cinco delas, o visitante é ainda convidado a interagir, num percurso que convoca a memória, a reflexão e a construção, sempre inacabada, da liberdade.
A conceção e a produção de elementos para as estações contaram com o contributo de vários membros das equipas do Serviço das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria, das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas Marquês de Marialva, bem como da Rádio Onda MM deste último agrupamento de escolas.
A logística, a organização e a montagem tiveram o apoio do Município de Cantanhede, nomeadamente das Divisões de Cultura, Educação e Juventude e de Comunicação, Imagem, Protocolo e Turismo. O Serviço Municipal de Núcleos Museológicos e Património Cultural, bem como o Serviço de Turismo, deram um suporte essencial ao período de funcionamento da exposição. De destacar ainda toda a colaboração de equipas e elementos que desenvolvem atividade nas áreas de carpintaria, eletricidade, informática, limpeza, pintura, segurança e transportes da Câmara Municipal de Cantanhede.
A exposição “Emoções & Inquietações de Abril” teve ainda o apoio de outras entidades, tais como o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, a Ephemera — Associação Cultural e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede, bem como de empresas e particulares.
Aberta ao público em geral, a exposição incluiu visitas guiadas para alunos do 9.º e do 12.º anos de todo o concelho de Cantanhede. A pedido da respetiva diretora de turma, foi igualmente integrada neste programa a turma do 11.º CT2 do AELdF.
Como atividade complementar à visita à exposição, os grupos escolares foram acolhidos pela equipa do Turismo da Câmara Municipal de Cantanhede, que fez o enquadramento da exposição em alguns marcos históricos da cidade relacionados com a liberdade. Para aproveitar da melhor forma o tempo disponível das turmas vindas de Febres e da Tocha, da Escola Básica Carlos de Oliveira e da Escola Básica 2,3 e Secundária João Garcia Bacelar, respetivamente, foram organizados um peddy-paper e a visita a uma exposição no Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede, cuja conceção e dinamização foram da responsabilidade de elementos das equipas do Turismo e dos Museus.
Registou-se uma elevada adesão dos alunos e docentes às dinâmicas da exposição. As visitas guiadas permitiram estabelecer diálogos enriquecidos com partilhas enquadradas na temática do 25 de Abril.
No dia 22 de abril, realizou-se uma visita guiada destinada aos participantes das Tardes Comunitárias, projeto promovido pelo Município de Cantanhede. A iniciativa incluiu também um diálogo com os alunos Carlos Januário, Guilherme Jesus e Luís Brites, da turma 12.º LH2, em torno da “emoção” do 25 de Abril e das “inquietações” que ainda hoje persistem. As atividades envolveram cerca de meia centena de participantes, distribuídos por dois grupos.
De valorizar todos os testemunhos dados por quem viveu no tempo da ditadura, lutou na Guerra do Ultramar, presenciou os acontecimentos relacionados com o golpe militar ou viveu o período pós-revolução.
Estima-se que a exposição terá tido mais de seis centenas e meia de visitantes, incluindo alunos e docentes dos três agrupamentos de escolas e da Academia de Música de Cantanhede, participantes seniores das Tardes Comunitárias e da Universidade dos Tempos Livres do Concelho de Cantanhede, colaboradores da Câmara Municipal de Cantanhede e público em geral.
Na estação “A urna eleitoral”, 567 visitantes aceitaram o desafio de participar na votação sobre “Que ideal de Abril gostaria de ver mais bem concretizado no momento atual?”. Obtiveram-se 527 votos válidos (92,94%), 3 votos em branco (0,53%) e 37 votos nulos (6,53%). De salientar que a maioria dos votos nulos correspondeu a escolhas múltiplas, situação não prevista no boletim de voto, mas reveladora da dificuldade em escolher um só ideal de Abril. Destaca-se a Paz como ideal mais escolhido no escrutínio realizado, com 164 votos (29,00%), possível reflexo das emoções e inquietações do momento presente, em Portugal e no mundo.
Depois de percorrerem as nove estações, nos Claustros dos Paços do Concelho, os visitantes puderam deixar apreciações e testemunhos no Livro de Visitas da exposição. Partilhamos uma mensagem escrita por Lucília Vieira, no âmbito das visitas do público em geral, no próprio dia 25 de abril de 2026: “Hoje não visitei apenas uma exposição; caminhei pela memória viva de um povo que escolheu ser livre! Que nunca esqueçamos o valor da coragem e o significado da LIBERDADE. Viva o 25 de Abril!!!”.
Ecos de Abril… Memória viva, liberdade inquieta.
A equipa organizadora da exposição