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No rasto de Vieira. Prédicas de hoje.

Há homens que não morrem com o seu tempo e há obras que não morrem com os seus autores; há palavras que ficam para sempre e há ideais que nunca passam de moda, felizmente. Um desses homens é o Padre António Vieira, cuja obra é um autêntico memorial aos princípios que devem reger a vida das sociedades. As suas palavras continuam mais atuais do que nunca e os seus ideais constituem os grandes baluartes da democracia. Sabemos que foi um acérrimo defensor dos direitos humanos e que a sua arma de combate às injustiças sociais foi sempre a palavra dita e escrita, da qual se serviu, do alto do seu púlpito, para denunciar a mesquinhez humana. As grandes causas defendidas por Vieira continuam perfeitamente atuais, assumindo, em certos casos, roupagens talvez mais ajustados aos tempos que correm, mas conservando a sua essência no que respeita à crítica política e social. Afinal, os defeitos e os vícios do ser humano são os mesmos de sempre, hoje com contornos possivelmente mais requintados e obscuros. Como afirma Inês Pedrosa no seu livro A Eternidade e o Desejo, Vieira “trabalhava como se vivesse no futuro”, isto é, como se a sua ação missionária não se limitasse ao seu tempo e ao seu lugar, mas se estendesse para além dos tempos.

Nesta perspetiva, e na sequência do estudo da obra Sermão de Santo António aos Peixes, foi proposto aos alunos do 11.º ano que desenvolvessem, em trabalho de pares, uma tarefa de escrita que, direta ou indiretamente, traduzisse o pensamento de Vieira, relativamente às questões políticas, sociais e familiares da atualidade. Alguns trabalhos colocam a figura do próprio orador no centro do discurso, como se realmente ele tivesse atravessado os séculos para visitar o século XXI; outros trabalhos, inspirados na retidão do pensamento vieiriano refletem situações perfeitamente verosímeis que talvez não se afastem muito, na sua essência, do que António Vieira pensaria ou diria, de forma magistral, sobre os temas apresentados. Feito o balanço, podemos afirmar que o resultado foi positivo. Se avaliarmos a intenção comunicativa subjacente ao que era pedido, decerto concluiremos que esse objetivo foi cumprido, não com a mestria de Vieira, obviamente, mas com a simplicidade e a vontade de quem ser voz e muitas vezes não sabe por onde começar…

Madalena Toscano

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